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EUA: interdição aos transgénero nas Forças Armadas “ainda não está definida”

EUA: interdição aos transgénero nas Forças Armadas “ainda não está definida”A administração norte-americana ainda não decidiu como vai aplicar a medida que Donald Trump anunciou no Twitter na quarta-feira, para proibir que pessoas transgénero integrem as Forças Armadas dos EUA. O anúncio surpresa do Presidente foi recebido com duras críticas por grupos de defesa dos Direitos Humanos e conduziu a protestos em várias cidades norte-americanas frente a centros de recrutamento militar.

Questionada sobre os planos do Presidente, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse que a administração vai trabalhar em parceria com o Pentágono para decidir como vai aplicar a interdição. Ainda não se sabe quando é que a medida entrará em vigor nem de que forma vai ou não afetar as pessoas transgénero que já integram as forças armadas.

Na quarta-feira de manhã (durante a tarde em Lisboa), Trump informou no Twitter que “o Governo dos EUA não vai aceitar ou permitir que indivíduos transgénero integrem o Exército dos EUA em qualquer capacidade”, alegando que as forças armadas “têm de estar focadas em vitórias decisivas e esmagadoras e não podem carregar o peso dos tremendos custos médicos e disrupções que os transgénero implicam no Exército”.

Sarah Sanders responde a questões dos jornalistas na Casa Branca

Sarah Sanders responde a questões dos jornalistas na Casa Branca

Mark Wilson

Confrontada com a questão dos soldados transgénero atualmente destacados em vários países, sobre se vão receber ordens para voltar a casa de imediato, Sanders admitiu que a política ainda não está definida. “A decisão é baseada numa decisão militar, não tem o objetivo de ser mais nada para além disso”, garantiu a porta-voz da Casa Branca.

Argumentos enganadores

Alguns media norte-americanos foram rápidos a questionar o argumento das despesas acrescidas que, segundo Trump, tornam os cerca de 15 mil atuais soldados transgénero num fardo financeiro. Entre eles conta-se o “Washington Post”, que fez referência a um estudo divulgado pelo “Military Times” onde é revelado que as forças armadas gastam quase 42 milhões de dólares (cerca de 35,8 milhões de euros) por ano em caixas de Viagra, o medicamento para tratar a disfunção erétil — mais de cinco vezes os custos do apoio médico a militares transgénero.

A par disso, o “Politico” noticiou que a decisão de Trump surgiu em resposta a ameaças de republicanos ultraconservadores — estes terão avisado o Presidente que se as pessoas transgénero continuarem a poder alistar-se no Exército, não iriam dar o seu voto aos projetos-lei que a administração quer aprovar para aumentar o teto das despesas com o Exército e com a construção de um muro na fronteira com o México.

De acordo com o mesmo site, um desses legisladores republicanos já tinha introduzido no Congresso uma emenda ao projeto-lei apresentado pela anterior administração para proibir o Pentágono de cobrir os gastos com cirurgias de pessoas transgénero.

Estas estiveram quase a conquistar uma vitória quando, no ano passado, Barack Obama anunciou medidas para que passassem a integrar as Forças Armadas assumindo a sua orientação sexual — com uma das alíneas da proposta a prever que o Exército ajudaria os soldados que querem mudar de sexo a cobrir as despesas com as operações necessárias.

Números, prazos e reações

A anterior administração definiu um período de um ano para que o projeto-lei fosse escrutinado antes de entrar em vigor. No mês passado, o atual secretário da Defesa, James Mattis, anunciou a prorrogação desse prazo em seis meses.

Em 2016, a Rand Corporation, um think tank que faz investigações e análises para o Departamento de Defesa americano, calculou que cerca de quatro mil soldados no ativo e na reserva são transgénero; grupos de ativistas garantem que o número é bastante superior às dez mil tropas. Na sua análise, a Rand também previu que incluir pessoas transgénero no Exército iria conduzir a um aumento de 0,13% nos gastos de saúde no setor da Defesa, o correspondente a cerca de 8,4 milhões de dólares (7,16 milhões de euros).

A soldado transgénero Tanya Walker discursa aos milhares de manifestantes que ontem se concentraram em Times Square

A soldado transgénero Tanya Walker discursa aos milhares de manifestantes que ontem se concentraram em Times Square

Spencer Platt

Numa entrevista ao “Business Insider”, Kristin Beck, uma ex-soldado de elite da Marinha, desafiou o Presidente a encontrar-se com ela para debaterem as suas alegações erróneas: “Vamos encontrar-nos cara a cara para me dizer que eu não valho nada. Ser transgénero não afeta mais ninguém. Somos a luz da liberdade. Se não consegue defender isso para todos os cidadãos americanos, isso é errado”.

Rudy Akbarian, outro soldado transgénero na reserva, reagiu com pesar ao anúncio de Trump. “O meu coração ficou um bocadinho apertado, isto magoa. Nem toda a gente reagiu bem quando soube que eu estava a transitar [de género]. Mas depois de integrar missões [de combate] e de perceberem que todos partilhamos o mesmo amor pelo país, trabalhámos em conjunto e concretizámos o nosso trabalho. A discriminação que enfrento agora vem de fora do Exército, não das pessoas que trabalham comigo.”

Sobre a alegação feita por Trump de que a decisão foi tomada após consultas com os seus generais, ex-funcionários de topo do Departamento de Defesa vieram contradizer o atual Presidente. Foi o caso de Ashton Carter, antecessor de Mattis na administração Obama que acabou com a interdição a pessoas transgénero: “Escolher soldados com base noutras coisas que não qualificações militares é política social e não há espaço para isso no nosso Exército”.

Por sua vez, John McCain, veterano de guerra republicano que lidera a comissão de serviços armados do Senado, criticou o facto de Trump ter feito um anúncio desta natureza no Twitter, antes de acrescentar: “Qualquer americano que cumpra os padrões médicos e de preparação física deve ser autorizado a continuar a servir [nas forças armadas]”.

No Reino Unido, refere a BBC, vários generais também condenaram o plano do Presidente norte-americano, entre eles o contra-almirante Alex Burton, que atualmente comanda as forças marítimas britânicas: “Estou muito satisfeito por não estarmos a seguir este caminho”.

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