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Ajuda nos fogos pedida com 48 horas de atraso

Por Luís Oliveira e Sérgio A. Vitorino|01:30

Uma deficiente avaliação, com o pedido de ajuda internacional de meios aéreos a atrasar-se 48 horas, levou a que o fogo que começou domingo, na Sertã (Castelo Branco), evoluísse para os distritos vizinhos de Santarém e Portalegre, obrigando milhares a saírem de casa e destruindo habitações e dezenas de milhares de hectares de floresta e mato. As chamas mantinham-se ontem ativas com violência, já em Nisa, na outra margem do Tejo.

Vários comandantes no terreno – que pedem o anonimato devido à lei da rolha imposta pela Autoridade Nacional de Proteção Civil – denunciam ao CM uma “incompreensível descoordenação desde a sede em Lisboa”. E apontam o dedo a Rui Esteves, comandante operacional nacional, nomeado em janeiro e que foi durante duas décadas uma das principais figuras do combate a incêndios no distrito de Castelo Branco, onde teve início o fogo.

“Foi comandante distrital e sabe bem o barril de pólvora que é a região. Não se compreende o desvio dos meios aéreos da frente de Mação para os concelhos da Sertã e Proença-a-Nova, logo no domingo. O fogo ficou completamente descontrolado e nessa noite deveria ter sido acionado o pedido de ajuda internacional de meios aéreos”, afirmam. Esse socorro acabou lançado apenas na terça-feira e só ontem um Canadair marroquino se juntou aos quatro espanhóis em operação.

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, foi uma das primeiras vozes a insurgir- -se no terreno contra a retirada dos meios aéreos daquela frente, que esteve a escassos metros da vila. “Tiveram como consequência mais de 20 aldeias evacuadas, pessoas retiradas, casas ardidas, 17 mil hectares [queimados]. Felizmente, há entidades independentes para investigar, para avaliar, tirar conclusões. Não descansaremos enquanto não tivermos respostas”, afirmou.

O fogo estava ontem em rescaldo em Mação e Vila Velha de Ródão. Tinha-se transferido para a margem sul do Tejo, para onde passou pelas Portas de Ródão e barragem do Fratel.

Mais de 100 pessoas retiradas de aldeias e lugares de Nisa   
Foi em Nisa, distrito de Portalegre, que se viveram ontem os momentos mais difíceis da vaga de incêndios. Mais de cem pessoas tiveram de ser retiradas de aldeias e lugares ameaçados pelas chamas. Momentos de grande angustia e de muita aflição.

55 feridos ligeiros no combate às chamas
Registaram-se ontem, até ao início da noite, 55 feridos ligeiros no combate às chamas, entre operacionais e populares. Só um teve de ser transportado ao hospital.

Grupo de reforço denuncia falta de alimentação
O Grupo de Reforço de Ataque Ampliado enviado da Guarda para os fogos da zona Centro não recebeu ontem alimentação pelo menos até às 15h00. Foram ativados às 22h00 de 2ª feira para Proença-a-Nova, 3ª foram para Vila Velha de Ródão e 4ª para Nisa. Grupos de reforço de outros distritos esperaram horas para serem colocados no combate ao fogo.

Revolta e vontade de apagar chamas   
Em Vale Coelheiro eram mais as certezas do que as dúvidas. Aquela mulher, doméstica, de 40 anos, andava a atear fogos em redor daquela aldeia de Castelo Branco. Era uma incendiária, acusava o povo. Via o combate aos fogos, domingo à tarde, quando revoltada decidiu pegar fogo ao mato com um isqueiro. Se tinha a fama, queria o proveito.

As chamas propagaram-se ao concelho vizinho de Vila Velha de Ródão e ontem seguiam violentas em Nisa. Casada e com filhos, foi detida pela PJ após ter sido vista por um guarda florestal. Confessou dois incêndios (um dias antes) e ficou em prisão preventiva.

Ontem, a PJ apanhou um outro incendiário: um sapador florestal. O homem de 25 anos, casado, ateou com um engenho incendiário um fogo em Oleiros, a 17 de julho, um mês após a tragédia de Pedrógão Grande.

Foi depois um dos mais ativos no combate às chamas que destruíram 291 hectares de mato, pinheiros e eucaliptos. “Gosta do aparato e de dar nas vistas”, resumiu fonte policial. Bem integrado na localidade, é “fanático pelo fogo”. Ficou em preventiva na cadeia de Castelo Branco.

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