Centro ibérico para investigação e combate aos incêndios tem sede em Huelva

O CILIFO, Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais junta o Alentejo, o Algarve e a região espanhola da Andaluzia. Vai ficar sedeado em Huelva.

Dois anos depois do pior ano de fogos para Portugal (2017), há duas regiões do país que se juntam à Andaluzia (Espanha) na constituição do Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais – CILIFO, que vai ficar sedeado na cidade espanhola de Huelva.

A iniciativa é liderada pela Junta da Andaluzia e envolve quase duas dezenas de instituições do Alentejo e Algarve que formam a Eurorregião Andaluzia-Alentejo-Algarve.

O projeto tem como objetivos “a investigação e o fortalecimento da cooperação entre Universidades e os sistemas de proteção civil no apoio à prevenção e combate aos Incêndios florestais na Andaluzia e no Sul de Portugal”, explica a Universidade de Évora (UÉ), a única instituição do Alentejo que integra a parceria ibérica.

Uma iniciativa que, no global, conta com um orçamento de 24,6 milhões de euros, no âmbito do Programa de Cooperação Espanha-Portugal Interreg VA (POCTEP) 2014-2020.

“Consideramos que um projeto com esta envergadura, com estes parceiros e com esta abrangência territorial é um virar de página sobre aquilo que é o conhecimento em termos dos fogos florestais e o nosso conhecimento em termos de novas estratégias que permitam mitigar os incêndios”, refere António Candeias.

O vice-reitor da UÉ salienta o “trabalho em rede “que se perspetiva a partir de agora, na medida em que “ao trazer as competências das várias instituições que estão envolvidas”, vai permitir que “conseguimos ganhar uma escala que não temos e desenvolver investigação que não seria possível cada um desenvolver se estivesse isolado.”

“Uma nova forma de estar”, sublinha o responsável da academia alentejana, cujo objetivo é desenvolver uma investigação “com efeitos muitos práticos do ponto de vista dos cidadãos e das comunidades.”

Aposta na prevenção para combater flagelo dos incêndios

À Universidade de Évora cabe a componente da investigação e formação, dispondo, para o efeito, de um orçamento que ronda o milhão e duzentos mil euros. “Somos a universidade que tem o papel mais importante nesta área”, refere Rui Salgado, o coordenador do projeto na UÉ, tanto mais que o CILIFO vai direcionar o seu trabalho no montado e na floresta mediterrânica, onde há uma lacuna em termos de estudos.

“A maioria dos estudos têm sido efetuados atendendo à floresta da região centro, que é a mais preocupante para o país, existindo poucos estudos para a região mediterrânica, sobretudo para o montado”, por isso, “aqui podemos dar um contributo importante e podemos fazer a diferença”, assegura o investigador.

Nesta primeira fase do CILIFO, projeto a desenvolver em três anos, a UÉ está a trabalhar em diversos estudos, nomeadamente sobre as faixas de gestão do combustível, a previsão de descargas elétricas utilizando modelos de previsão numérica do tempo e a estimativa de biomassa residual nas regiões do Alentejo e Algarve. A equipa de trabalho que está, entretanto, a ser formada vai também, entre outras linhas de trabalho, debruçar-se sobre o impacto dos incêndios de 2017 na qualidade do ar.

“É um trabalho que nunca vai estar acabado, tendo em conta as alterações climáticas e, infelizmente, os fogos não têm tendência a diminuir”, lamenta Rui Salgado.

“O que podemos fazer é melhorar a prevenção e a capacidade de intervir no combate aos incêndios, por isso é importante cimentar um trabalho conjunto e colocar todo este conhecimento ao serviço da nossa região, do país e do sul de Espanha”, alude o coordenador responsável da UÉ.

Para além das infraestruturas a criar em Espanha e na região algarvia, nomeadamente em Castro Marim, Loulé, Monchique e Tavira, o CILIFO vai desenvolver um trabalho de proximidade com as populações, sensibilizando-as e promovendo a formação dos operacionais da Proteção Civil. Uma medida que é bem vista pelo comandante do CDOS (Comando Distrital de Operações de Socorro) de Évora.

“A autoridade nacional está sempre aberta e disponível para incorporar todos estes protocolos e medidas que parecem interessantes”, considera José Ribeiro, reconhecendo que algumas das áreas que vão ser trabalhadas, como “a gestão do combustível e a gestão da biomassa antes do período do verão”, são importantes.

O responsável pelo CDOS de Évora aponta, também, a sensibilização como prioritária, para “podermos chegar junto dos cidadãos de uma forma mais eficaz, transmitindo as medidas de prevenção e precaução que levem à redução das ignições.”

Dispositivo “mais musculado” no distrito de Évora

A apresentação do novo Centro Ibérico de Investigação e Combate aos Incêndios Florestais coincide com o arranque, em Portugal, da fase mais crítica dos fogos.

No distrito de Évora, à semelhança do país, o dispositivo está agora reforçado. “Essencialmente, mantemos o mesmo dispositivo, quer terreno, quer aéreo”, no entanto, refere o comandante José Ribeiro “incorporamos, por força da entrada em funcionamento de algumas equipas de intervenção permanente, mais elementos, naquilo que é um dispositivo terrestre.”

“É um dispositivo um pouco mais musculado que andará à volta dos 160 homens, diariamente entre julho e 30 setembro e um meio aéreo que já está sedeado, aqui, no centro de meios aéreos de Évora”, acrescenta.

O responsável pelo CDOS de Évora garante que está tudo operacional, tanto mais que as ocorrências dos meses de maio e junho colocaram à prova o dispositivo, atendendo a que se registaram “incêndios com um desenvolvimento muito rápido, com áreas muito significativas e em que o dispositivo deu uma resposta muito cabal.”

Fonte: FIRESHELTER52

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