Não tenhamos medo da robótica.

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Um estudo encomendado pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP) ao McKinsey Global Institute e à Nova School of Business and Economics, parece traçar um cenário preocupante nos sectores mais marcados por tarefas repetitivas e com um elevado potencial de automação, mas também dá conta de oportunidades em áreas como a saúde ou a construção.

Digo parece, porque provavelmente outro estudo virá num amanhã e até ao horizonte apreciado, o ano de 2030, demonstrar que as coisas não são bem assim e o que muda é o perfil do trabalho, já que o mesmo estudo também aponta para a criação de mais cem mil empregos que aqueles que a robótica pode substituir, em outras áreas correlativas

A evolução das profissões tem vindo a demonstrar que quem trabalha não pode alhear-se da exigência de formação constante. Mas os sinais não são maus, já que a robótica alivia a canga das tarefas repetitivas, libertando o ser humano para o usufruto de bens mais espirituais como a cultura, a criação e a ciência. A acontecer de forma massiva, não é possível predizer com exactidão quantos e que qualitativos vão ser os avanços. Seria contudo imprudente não reconhecer que os passos tem de ser amadurecidos, até à consumação da revolução científica.

Se me perguntam que será feito dos seres humanos, creio que a resposta é simples e foi já dada no século anterior quando da Revolução Industrial. Não será novidade para quem estuda a história: a criação de condições para a redução significativa dos horários de trabalho ou antecipação de reformas, sem perda de rendimentos.

Lembrem-se contudo do que nos dizia Jorge Amado pela voz de Glorinha à janela, a “teúda” e “manteúda” do coronel Coreolano: Ninguém dá nada a ninguém, tem de se conquistar!

José E. Cruz

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