José Estêvão Cruz
José Estêvão Cruz
Opinião

Opinião: Temos de salvar a vida

Os números das 12 horas de hoje, domingo, 22 de Novembro de 2020, dizem-nos que a Covid-19 já ceifou em todo o Mundo 1.388.710 de vidas.
José Estêvão Cruz

Sim, é necessário dizer a hora e o número completo de mortos. São pessoas que desapareceram por causa de uma doença. Deixam atrás de si o vazio da perda, para além do receio de que alguém, próximo de nós ou mesmo nós próprios, apesar dos cuidados, possa vir também afetado.

É uma tragédia que afeta toda a gente em todo o Mundo e por tal se diz pandémica. Pior, ainda não acabou. Se é certo que foram recuperadas da doença 40.575.920 seres humanos, neste momento ainda estão em luta com este microscópico ser que apenas é alguém dentro de nós,16.648.353 pessoas. Destas, 102.476 estão às portas da morte.

Os números de hoje em Portugal não foram ainda divulgados, mas, tal como ontem, não será coisa que nos poderemos gabar, mesmo sob pesado confinamento e muita polémica entre nós sobre o que devemos e não devemos fazer, mais criada pelo medo e pelo oportunismo político que pela razão serena e fria, tão necessária nesta ocasião.

Se temos de aceitar que nos metam em casa e imobilizem a vida económica e cultural, para evitar que colapsem os serviços de saúde, devemos saber exigir, dentro da legalidade democrática, que acabem as mesquinhas indefinições burocráticas de Bruxelas quanto aos auxílios, nem limitações para manter o défice orçamental como se a vida estivesse a correr normal, à beira de tudo isso deixar de fazer sentido, face à tragédia.

Se nós estamos em casa, merecemos que todos os recursos técnicos e financeiros sejam lançados sobre o combate à doença, como se faz durante uma guerra, e prestado o devido auxílio a quem ficou obrigado a ficar em casa.

Mas, como se a terra fosse um ser vivo que lançou anticorpos sobre os que lhe estavam a fazer mal, o ambiente está a fazer respirar as florestas e os campos, os pássaros a voar mais livres, o peixe a crescer e os recursos petrolíferos a não serem utilizados sem contenção, para poluir o ar.
Sim, porque o planeta continuará a existir com outras formas de vida a seu. Estes meses em que o ser humano, com o seu comportamento predador de recursos, se retraiu por culpa do vírus, estão a mostrar que a Terra pode dispensar os humanos. O planeta auto reginara-se para outras realidades.
Não, não é a Terra que temos de salvar! Esta cuida dela própria. Temos é todos de mudar de comportamento.

./JEC