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Os bancos tal como os conhecemos vão desaparecer

Há um processo revolucionário em curso no setor financeiro. Ainda mal recuperada da crise que invadiu os bancos em 2008 e deixou o setor numa quarentena prolongada, a banca enfrenta agora um exército armado com algoritmos. Ainda não estão como a Uber para os táxis, mas é lá que querem chegar.

Em Portugal, as fintech, termo anglo-saxónico que casa a finança com a tecnologia, vão ganhar uma associação já no início de dezembro, prova de que estas pequenas tecnológicas financeiras vieram para ficar.

Nascemos por sugestão de muitas pessoas interessadas em promover e defender o setor”, conta ao Dinheiro Vivo Luís Miguel Vieira da AFIP, a Associação Fintech e Insurtech Portugal. A organização, que começou a ser desenhada em outubro, quer criar “ligações entre as entidades do sector, desenvolver pesquisas, análises e estudos e implementar soluções para divulgar e dinamizar os sectores”.

Em Portugal o peso das fintech ainda é residual e entre as empresas que nascem muitas mudam-se para Londres. Os dados já recolhidos pela AFIP revelam a existência de pouco mais de uma dezena de empresas de tecnologia financeira que geram cerca de cem empregos.

No resto da Europa o cenário é diferente. Um estudo recente da Universidade de Cambridge e da KPMG revela que o setor cresceu 92% no Velho Continente em 2015, ano em que moveu quase 5,5 mil milhões de euros. Em 2016 o valor deverá crescer para os oito mil milhões. O Reino Unido é considerado o “paraíso” das fintech, com uma quota de mercado de 81%.

Os números ganham um significado especial quando comparados com o descalabro que vive a banca europeia. Nos últimos cinco anos fecharam 40 mil agências e perderam-se 250 mil postos de trabalho no setor. Só em Portugal desapareceram 1554 balcões e 9882 postos de trabalho desde 2010, num processo de ajustamento que está longe de ter terminado.

Estará a banca preparada para o choque tecnológico? “As novas tecnologias vão revolucionar a forma como os sectores financeiros e seguradores operam. Muitas dessas tecnologias são claramente mais eficientes que as anteriores e estão a ser adotadas de forma generalizada” observa Luís Miguel Vieira.

Há, porém, uma questão central que ainda carece de resposta. “Não sabemos se a estrutura do sector financeiro vai mudar, que tipo de empresas vão exercer no futuro as funções que atualmente pertencem aos bancos e às seguradoras”.

Luís Miguel Vieira antecipa dois cenários: num futuro próximo, é provável que os bancos percam o domínio do processamento de pagamentos e de transferências para as tecnológicas. Por outro lado, deverão conseguir apanhar o comboio em áreas como a comunicação em redes sociais e as compras online.

O momento da viragem já tem data marcada: 1 de janeiro de 2018. É quando entra em vigor na UE a Diretiva Europeia de Serviços de Pagamento PSD2, que dará luz verde à existência de novos serviços de pagamento e vai contribuir para baixar as taxas dos pagamentos online. Uma lei a pensar nos consumidores que promete dar muitas dores de cabeça aos bancos.
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Dezembro, 2020

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