Sempre esquecido o Porto de Vila Real de Santo António

A ministra do mar, Ana Paula Vitorino, concedeu uma entrevista à revista “Exame” do mês de Dezembro onde fala dos mais importantes portos de Portugal. Em relação ao Algarve menciona os portos de Faro e Portimão, mas nem uma palavra sobre o porto de Vila Real de Santo António.

Não se pode dizer que a ministra desconheça a cidade e o Rio, nem que a questão do enquadramento do Porto na circulação rodoviária da cidade lhe seja matéria estranha.

Ana Paula Vitorino é responsável pela empresa que foi encarregada no anterior mandato autárquico da elaboração de um estudo de trânsito na cidade de Vila Real de Santo António, do qual ainda não se reconhece o resultado nem a conclusão final.

Compreende -se que os portos de águas profundas de Portugal como Sines, Lisboa ou Leixões tenham para o futuro da economia portuguesa uma importância primordial e que para se lhes projete, em tempo de vacas magras e necessidade de recuperação econômica, a prioridade principal.

Em relação ao Algarve a ministra considera o porto de Portimão como de valência turística de cruzeiros e comercial e o de Faro como porto de recreio, como aliás se tem visto em projetos ultimamente publicados na Comunicação Social.

Para o porto de Vila Real de Santo António, o que se conhece é uma proposta da Docapesca de atribuir à empresa inglesa Mount Pleasant, uma sociedade com ligação a off-shores e citada nos Panama Papers, em regime de cedência por uma renda que, espraiada no tempo, é de 11.500 euros mensais, ou seja, a 5,40 euros por metro quadrado por mês, em que o porto é de exclusivo uso turístico e recreativo.

Há muita gente em Vila Real de Santo António que continua a acreditar que o desenvolvimento do porto de Vila Real de Santo António passa por uma solução que englobe uma área comercial e outra de cruzeiros turísticos, já que o porto já dispõe de uma suficiente doca de perca e de um porto de recreio que ainda tem condições para ser ampliado.

A solução do Porto de Portimão, com as devidas adaptações, duas valências, comercial e turística, também me parece apropriada e até já consta no Plano Director Municipal que deverá entrar na fase de revisão.

A ministra também disse que alguns portos do País podem vir a ser entregues às autarquias. É uma proposta interessante, mas há que equacionar se, com o município de Vila Real de Santo António debaixo de um plano de assistência financeira para sair do endividamento excessivo, esta solução é exequível.

Também há que ter em consideração que o Governo não pode lavar as mãos e não dar a devida atenção a um porto que se situa na desembocadura de num dos mais importantes rios da Península Ibérica.

É pois urgente que seja emitido um esclarecimento sobre o destino deste nosso porto.

José Cruz